Num cenário em que se discute com frequência o fosso social que separa ricos e pobres no Brasil, uma notícia animadora surge para renovar as esperanças: a desigualdade de renda no país caiu ao menor nível desde 2012, conforme aponta a mais recente edição da pesquisa “Rendimento de Todas as Fontes” da PNAD Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 8 de maio.
Você sabe o que isso significa na prática? Mais gente com acesso a melhores condições de vida, maior distribuição de renda e uma sociedade um pouco mais equilibrada. Ainda é cedo para celebrar como se todos os problemas estivessem resolvidos — mas os números indicam um avanço concreto.
ÍNDICE DE GINI RECUA E MARCA O MELHOR RESULTADO DA SÉRIE HISTÓRICA
Em 2024, o Índice de Gini, métrica que mede a concentração de renda, caiu para 0,506, o menor nível registrado desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. Quanto mais próximo de zero, mais igualitário é um país. Para efeito de comparação, em 2018 o índice chegou a seu pico de 0,545.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, comemorou o dado. “Um Brasil com mais igualdade. Esse é o compromisso do governo do presidente Lula e isto está acontecendo desde o primeiro dia de mandato”, afirmou.
O ministro também destacou a abrangência dessa melhora: “Significa que as pessoas de baixa renda, os mais pobres, estão melhorando, mas também a classe média e toda a população brasileira.”
RENDA PER CAPITA ATINGE RECORDE E APONTA CRESCIMENTO REAL
Além da queda na desigualdade, o rendimento médio mensal domiciliar per capita também bateu recorde. Em 2024, chegou a R$ 2.020, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior e 19,1% acima de 2012, ano em que começou a série.
Isso significa, em termos simples, que as famílias brasileiras têm, em média, mais dinheiro disponível do que tinham em qualquer outro momento dos últimos 12 anos.
A massa de rendimento mensal domiciliar per capita — ou seja, a soma dos rendimentos da população — alcançou R$ 438,3 bilhões, um salto de 5,4% frente a 2023 e 15% maior do que em 2019, antes da pandemia.
Quer saber como isso varia pelo país? Os dados mostram disparidades importantes:
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Distrito Federal lidera com R$ 3.276
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São Paulo aparece em segundo com R$ 2.588
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Santa Catarina fecha o pódio com R$ 2.544
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Na outra ponta, Maranhão registra o menor valor: R$ 1.078
Confira todos os dados diretamente no site do IBGE: acesse aqui.
OS EXTREMOS ESTÃO MAIS PRÓXIMOS — MAS AINDA LONGE
Outro sinal de progresso: os 10% mais ricos passaram a receber, em média, 13,4 vezes mais do que os 40% mais pobres — a menor razão da série histórica. Em 2018, essa diferença era de 17,1 vezes.
E mais: o 1% mais rico ganhava 36,2 vezes mais que os 40% da base — outra queda histórica. Para se ter uma ideia, esse número chegou a 48,9 em 2019.
Segundo o analista do IBGE, Gustavo Fontes, isso tem explicações: “Entre os fatores que podem explicar tal crescimento, estão o dinamismo do mercado de trabalho nos últimos anos, com a elevação do nível de ocupação e o crescimento do rendimento médio do trabalho, inclusive nos décimos mais baixos, bem como os reajustes do salário mínimo e o recebimento de benefícios de diferentes programas sociais do governo”.
TRABALHO SEGUE COMO PRINCIPAL FONTE DE RENDA
Apesar do crescimento em programas sociais e aposentadorias, o rendimento do trabalho ainda é o grande pilar da renda dos brasileiros. Em 2024, ele representou 74,9% da composição do rendimento domiciliar per capita, um leve avanço frente aos 74,2% de 2023.
Fontes complementa: “Ao longo da série histórica, o rendimento do trabalho tem respondido por aproximadamente três quartos do rendimento domiciliar. O que vemos agora é a consolidação de um mercado de trabalho mais aquecido e inclusivo.”
PARTICIPAÇÃO DOS PROGRAMAS SOCIAIS SEGUE IMPORTANTE
Embora menor do que no auge da pandemia, os programas sociais continuam exercendo papel fundamental na renda dos mais pobres. Em 2024, eles representaram 3,8% da composição do rendimento domiciliar per capita, acima dos níveis pré-pandemia (1,7% em 2019), mas ainda distantes dos 5,9% registrados em 2020, quando o Auxílio Emergencial teve papel central.
A proporção de domicílios com ao menos um beneficiário do Bolsa Família caiu levemente: de 19% em 2023 para 18,7% em 2024.
OUTROS INDICADORES TAMBÉM BATEM RECORDE
A série histórica de 2024 aponta recordes também nos seguintes dados:
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Rendimento total de todas as fontes: R$ 3.057
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Rendimento médio habitual de trabalho: R$ 3.225
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Rendimento médio de programas sociais: R$ 836
Além disso, a população com algum tipo de rendimento também atingiu seu maior número desde 2012:
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143,4 milhões de pessoas com algum rendimento
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101,9 milhões com rendimento do trabalho
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29,2 milhões com aposentadorias ou pensões
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20,1 milhões beneficiados por programas sociais
DIFERENÇAS REGIONAIS AINDA SÃO MARCANTES
O retrato geral é de melhora, mas não há como ignorar as disparidades entre as regiões brasileiras. O Sul registrou o maior valor médio de rendimento de todas as fontes (R$ 3.576), seguido por Centro-Oeste (R$ 3.569) e Sudeste (R$ 3.497). Já o Nordeste apresentou o menor rendimento (R$ 2.080).
Entre 2023 e 2024, o rendimento cresceu mais no Sul (9,5%) e no Nordeste (6,1%), enquanto o Norte apresentou leve queda (-1,0%).
UM PASSO À FRENTE, MAS O CAMINHO CONTINUA
Os dados são animadores? Sem dúvida. Mas também deixam claro que ainda há um longo percurso até a verdadeira equidade social. A concentração de renda continua sendo um desafio, assim como as desigualdades regionais e estruturais que persistem há décadas.
A boa notícia é que os indicadores apontam na direção certa. O país está, aos poucos, reduzindo o abismo social e garantindo melhores condições de vida para camadas cada vez mais amplas da população.
E você? Sente essas mudanças no seu dia a dia? Acredita que estamos caminhando para um Brasil mais justo? Acompanhe, questione, participe — porque dados como esses não devem apenas ser celebrados, mas também acompanhados de perto pela sociedade.