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Evangélicos ultrapassam um quarto da população brasileira, aponta IBGE

Por Conecta Mídia
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Evangélicos ultrapassam um quarto da população brasileira, aponta IBGE

O cenário religioso brasileiro está em transformação e os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam isso com clareza. Você sabia que os evangélicos agora representam quase 27% da população brasileira? Ou seja, mais de um quarto dos brasileiros com 10 anos ou mais se identificam com essa fé em expansão.

Enquanto os católicos seguem sendo a maioria, com pouco mais da metade da população, a dinâmica entre as crenças está mudando e traz à tona novas questões sobre cultura, identidade e futuro. Vamos entender melhor esse movimento e o que ele significa para o Brasil de hoje?

CRESCIMENTO DOS EVANGÉLICOS: UM FENÔMENO QUE NÃO PARA DE SURPREENDER

Entre 2010 e 2022, o grupo evangélico teve um crescimento de 5,3 pontos percentuais, saltando de 21,6% para 26,9% da população, tornando-se a religião que mais cresceu nesse período. Embora esse ritmo seja menor que nas décadas anteriores — quando o aumento chegou a mais de 6 pontos percentuais a cada dez anos —, a presença evangélica se consolida com força.

Maria Goreth Santos, pesquisadora do IBGE, explica: “Os evangélicos estão se impondo mais na sociedade, colocando mais seus valores, suas ideias, sua fé”. Você percebe essa influência também em sua cidade ou comunidade?

A predominância entre os jovens é notável: na faixa etária entre 10 e 14 anos, 31,6% se declararam evangélicos, um indicativo de que as igrejas estão atraindo as novas gerações. A professora Christina Vital, da UFF, destaca que essa adesão está relacionada a adaptações nas liturgias que dialogam com o público jovem, bem como a uma oferta de esperança em tempos de incerteza: “As igrejas evangélicas vêm oferecendo um caminho, uma expectativa, mesmo que seja apostando no mérito, como forma de alcançar [objetivos] na atual sociedade.”

Além disso, as mulheres representam uma parcela expressiva dentro desse grupo: 55,4% dos evangélicos são do sexo feminino, um número maior que a média da população feminina no Brasil (51,8%). Para a pastora Nilza Valéria, essa valorização feminina é uma característica marcante da religião: “As mulheres, e falo como uma mulher negra, inclusive, jornalista, […] na igreja, isso não acontece. Lá eu sou a pastora Nilza, não preciso provar nada. As mulheres de oração são valorizadas nas suas comunidades e o que elas falam é lei.”

CATÓLICOS: A MAIORIA QUE VÊ SUA PRESENÇA DIMINUIR

Apesar de ainda serem a maioria, os católicos apostólicos romanos registraram queda significativa nos últimos anos. Em 2010, eram 65% da população; em 2022, esse número baixou para 56,7%. Essa tendência acompanha um processo histórico de longa duração — em 1872, quase toda a população era católica (99,7%).

A maior concentração de católicos está no Nordeste (63,9%) e no Sul (62,4%), regiões onde tradições familiares e históricas ainda sustentam essa fé. Por outro lado, o Norte é a região onde a presença católica é menor (50,5%), cedendo espaço para o crescimento evangélico.

Interessante notar que a proporção de católicos aumenta com a idade: entre os mais velhos, a adesão é maior — no grupo de 80 anos ou mais, 72% se declararam católicos. Já entre os jovens de 20 a 29 anos, a taxa cai para 51,2%.

OUTROS GRUPOS RELIGIOSOS E O CRESCIMENTO DA DIVERSIDADE

Não só evangélicos e católicos merecem destaque. O Censo também registrou o crescimento das religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, que passaram de 0,3% para 1% da população. “Um movimento tem sido feito nos últimos contra a intolerância religiosa,” afirma Maria Goreth Santos, ressaltando que muitos passaram a se assumir abertamente nessas crenças, antes escondidas por medo ou vergonha.

Além disso, as chamadas “outras religiosidades” — que incluem judaísmo, islamismo, budismo, esoterismo e até múltiplas práticas religiosas — cresceram de 2,7% para 4% da população.

No campo do secularismo, os sem religião (ateus, agnósticos e pessoas que não se vinculam a nenhuma crença) também aumentaram, de 7,9% para 9,3%. Aqui, os homens predominam, o que contrasta com o perfil feminino da maioria das religiões.

PERFIS DEMOGRÁFICOS E ESCOLARIDADE NAS RELIGIÕES

Quando olhamos para cor, sexo e escolaridade, as diferenças são ainda mais claras. Mulheres lideram a maior parte dos grupos religiosos — com exceção das pessoas sem religião e das tradições indígenas, onde os homens são maioria.

O catolicismo é a religião mais presente entre todas as categorias raciais, especialmente entre os brancos (60,2%). Já os evangélicos têm maior presença entre indígenas (32,2%).

Sobre escolaridade, os espíritas lideram o ranking de pessoas com ensino superior completo (48%), seguidos por umbanda e candomblé (25,5%) e outras religiosidades (23,6%). Evangélicos e católicos têm percentuais menores, 14,4% e 18,4%, respectivamente.

HISTÓRIA DE VIDA: O EXEMPLO DA PASTORA CÁSSIA ANTUNES

Para humanizar esses dados, conheça a história da pastora Cássia Antunes, que lidera uma igreja evangélica em Itaboraí, Rio de Janeiro. Após enfrentar uma depressão e uma trajetória marcada pelo espiritismo e pela Igreja Universal, ela encontrou na fé evangélica um caminho de cura e transformação.

“Muitos falam mal, mas foi na Universal, igreja à qual sou grata, que conheci a palavra de Jesus, por meio de pastores amorosos, lideranças muito boas, tive o apoio que mudou a minha história,” conta Cássia.

Seu trabalho comunitário com orações e aconselhamentos mostra como a fé é vivida na prática, fortalecendo famílias e oferecendo suporte em momentos difíceis.

UM PAÍS DE MUITAS FÉS E DESAFIOS PELA FRENTE

O Brasil é um país plural em suas crenças e valores. Enquanto o catolicismo perde espaço, os evangélicos ganham força, e outras religiões crescem em diversidade. Sem religião e crenças afro-brasileiras também ocupam seu lugar na complexa teia religiosa.

Este cenário traz desafios para o diálogo, o respeito e a convivência entre diferentes grupos. Afinal, como equilibrar tradição e modernidade? Como garantir que todas as vozes sejam ouvidas?

E você, como enxerga essa mudança religiosa ao seu redor? Já percebeu esses movimentos em sua cidade ou família?

Fonte: Agência Brasil

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