As plataformas da internet se consolidaram como o principal meio de acesso à informação entre brasileiros com 16 anos ou mais, ultrapassando rádio e televisão. O dado faz parte da pesquisa inédita “Painel TIC – Integridade da Informação”, divulgada em 10 de abril pelo Cetic.br, ligado ao NIC.br e ao CGI.br.
O levantamento, realizado com 5.250 usuários, mostra uma mudança estrutural no consumo de informação no país, com impacto direto na forma como a população se informa, verifica conteúdos e se posiciona diante de notícias — especialmente em um cenário marcado pelo avanço da desinformação e das tecnologias digitais.
PLATAFORMAS DA INTERNET LIDERAM ACESSO À INFORMAÇÃO
Segundo a pesquisa, 72% dos brasileiros acessam informações diariamente por redes sociais. Dentro desse universo, os formatos mais consumidos são vídeos curtos (53%), plataformas de vídeo (50%) e feeds de notícias (46%).
Os aplicativos de mensagens também têm papel central: 60% dos entrevistados utilizam esses canais diariamente para se informar. Em contraste, rádio e televisão aparecem com 58%, enquanto jornais e revistas — impressos ou digitais — somam 34%.
O estudo indica que o comportamento informacional está cada vez mais concentrado no ambiente digital, especialmente em plataformas móveis e dinâmicas.
DESIGUALDADE NO ACESSO E CONSUMO DE NOTÍCIAS
O acesso à informação varia conforme fatores socioeconômicos. Usuários das classes AB, com ensino superior e múltiplos dispositivos, apresentam maior frequência de consumo.
O uso de portais de notícias, por exemplo, é significativamente maior nesse grupo (58%), enquanto cai para 33% na classe C e 27% nas classes DE.
Além disso, 65% dos brasileiros afirmam consumir diariamente notícias produzidas por veículos jornalísticos. Entre jovens de 16 a 24 anos, esse percentual recua para 46%, indicando uma mudança geracional relevante no hábito de consumo.
DESCONFIANÇA MARCA RELAÇÃO COM A INFORMAÇÃO
A pesquisa revela um cenário de desconfiança generalizada. Cerca de metade dos entrevistados afirma desconfiar, sempre ou na maioria das vezes, das informações recebidas.
Os índices são próximos entre diferentes fontes:
- Veículos tradicionais: 48%
- Plataformas de vídeo e streaming: 47%
- Influenciadores e figuras públicas: 43%
A desconfiança em relação à imprensa é maior entre pessoas com menor escolaridade e entre homens. Já conteúdos de influenciadores geram maior ceticismo entre usuários com mais de 60 anos.
DESINTERESSE EM VERIFICAR INFORMAÇÕES PREOCUPA
Outro dado relevante é o desengajamento na checagem de conteúdos. Cerca de 34% concordam que “não vale a pena verificar se a informação é verdadeira ou falsa”, enquanto 30% dizem não ter interesse nesse tipo de verificação.
Esse comportamento é mais frequente entre jovens, homens, pessoas das classes C e DE e com menor escolaridade, grupo que também apresenta maior dificuldade em identificar informações falsas.
BRASILEIROS AINDA TÊM DIFICULDADE COM ALGORITMOS
O estudo aponta lacunas no entendimento sobre o funcionamento das plataformas digitais. Metade dos entrevistados acredita que conteúdos mais compartilhados são necessariamente mais confiáveis.
Além disso, 45% afirmam que todas as pessoas recebem as mesmas informações ao fazer buscas na internet — percepção que ignora a personalização algorítmica.
Por outro lado, há maior compreensão sobre monetização digital:
64% reconhecem que influenciadores usam polêmicas para ganhar visibilidade, e 61% sabem que redes sociais lucram com publicidade.
DEEPFAKES E IA GANHAM ESPAÇO NO COTIDIANO
A presença de conteúdos manipulados por inteligência artificial já faz parte da rotina digital. Segundo a pesquisa, 41% dos brasileiros afirmam ter contato diário com deepfakes.
Entre jovens de 16 a 24 anos, esse número sobe para 44%. Ainda assim, há desigualdade no entendimento do tema: o desconhecimento é maior entre pessoas com menor renda e escolaridade.
O uso de ferramentas de IA também cresce. Cerca de 47% dos usuários já utilizaram recursos como o ChatGPT. Entre quem acessa a internet apenas pelo celular, a IA integrada ao WhatsApp é a mais utilizada (38%).
RESULTADOS REFORÇAM DESAFIOS PARA POLÍTICAS PÚBLICAS
Para especialistas envolvidos no estudo, os dados evidenciam um momento de transformação no ecossistema informacional brasileiro.
A pesquisa também contou com apoio da Agência Lupa em testes de classificação de informações, indicando que fatores como escolaridade, renda e qualidade de conexão influenciam diretamente na capacidade de identificar conteúdos falsos.
Os resultados apontam para a necessidade de políticas públicas voltadas à educação midiática, letramento digital e fortalecimento da integridade da informação no país.
Com informações de Assessoria de Comunicação – NIC.br