Apostando no leite de banana, a foodtech catarinense Banana Milk entrou no mercado de bebidas vegetais com uma estratégia incomum: conquistou espaço no varejo antes mesmo de estruturar produção em larga escala. A empresa alcançou cerca de 400 pontos de venda em menos de um ano, começando por redes de Santa Catarina e avançando para outros mercados.
O movimento ocorre em um momento de crescimento acelerado do setor plant-based no Brasil, com consumidores buscando alternativas à soja, aveia e amêndoas. Ao transformar uma fruta amplamente produzida no país em bebida vegetal, a marca tenta ocupar uma lacuna ainda pouco explorada no mercado nacional.
VAREJO ABRIU ESPAÇO PARA O LEITE DE BANANA
Segundo os fundadores, a entrada nas redes ocorreu ainda na fase inicial do negócio, quando a empresa contava apenas com embalagens conceituais e lotes artesanais. Mesmo assim, compradores do varejo aceitaram testar o produto, em um segmento normalmente disputado por marcas consolidadas.
Para Marcos Christol, sócio da empresa, a novidade ajudou a romper a resistência comum do setor. “O varejo hoje é uma guerra por centímetros, e os compradores estão muito seletivos. O fato de termos entrado em redes premium antes mesmo de estarmos com a operação 100% rodando mostra que o mercado estava carente de algo com identidade.”
Ele afirma que o Brasil oferece condições favoráveis para essa categoria. “A banana é abundante, saborosa e extremamente acessível em termos de cadeia produtiva. Percebi que precisávamos tropicalizar essa ideia com foco total na entrega de sabor e em uma lista de ingredientes limpa, o chamado clean label.”
MODELO ENXUTO PERMITE CRESCIMENTO RÁPIDO
A Banana Milk opera com produção totalmente terceirizada, modelo conhecido como asset-light. Na prática, isso reduz a necessidade de investir em fábricas próprias e direciona recursos para desenvolvimento de produto, marketing e expansão comercial.
Marina Sena, sócia responsável pela área comercial, diz que a estrutura foi pensada para acelerar escala. “Não somos apenas uma empresa de bebidas, somos uma foodtech. Nosso formato nos permite, por exemplo, fechar um contrato com uma grande rede nacional e ser capaz de aumentar em 100 vezes a nossa produção de forma imediata, sem precisar investir em um único maquinário novo.”
DESIGN VIROU DIFERENCIAL NAS GÔNDOLAS
Além do produto, a empresa apostou em identidade visual para se destacar em um ambiente competitivo. A estratégia rendeu premiações internacionais de design em mercados como Estados Unidos, França, Brasil e América Latina.
Para a marca, o posicionamento visual ajuda a chamar atenção nas prateleiras e a construir valor junto ao consumidor, especialmente em um setor onde novas opções surgem com frequência.
MERCADO DE BEBIDAS VEGETAIS SEGUE EM EXPANSÃO
Dados citados pela empresa indicam crescimento de dois dígitos no segmento de bebidas vegetais no país. Enquanto produtos à base de soja perderam espaço recentemente, categorias feitas com grãos, nozes e sementes avançaram.
Nesse cenário, a startup utilizou Santa Catarina como base de testes, validando campanhas promocionais, degustações em lojas e ações com influenciadores antes de ampliar presença nacional.
PRÓXIMA ETAPA MIRA SUDESTE E MERCADO EXTERNO
Após consolidar operação no Sul, a Banana Milk prepara nova fase de expansão com participação na Naturaltech, feira voltada ao setor de produtos naturais. A expectativa é ampliar presença em redes do Sudeste.
No horizonte de longo prazo, a empresa também mira mercados internacionais. A aposta é que a banana brasileira possa se transformar em vantagem competitiva frente a categorias já saturadas, como aveia e castanhas, em países da Europa e nos Estados Unidos.