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Supermercados defendem contrato por hora para enfrentar falta de mão de obra

Por Conecta Mídia
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Supermercados defendem contrato por hora para enfrentar falta de mão de obra

Você já imaginou escolher quando quer trabalhar, por quantas horas e ainda manter os direitos trabalhistas garantidos? Essa é a proposta que começa a ganhar força no setor supermercadista brasileiro. Durante a abertura da Apas Show 2025 — um dos maiores eventos de alimentos e bebidas da América Latina —, realizada nesta segunda-feira (12), em São Paulo, o debate sobre o contrato de trabalho por hora ocupou o centro das atenções.

A ideia, segundo os representantes do setor, é simples, mas ambiciosa: adaptar o modelo de contratação às novas demandas do mercado, especialmente de jovens que buscam mais liberdade e flexibilidade no emprego.

MERCADO DE TRABALHO EM TRANSFORMAÇÃO: A VEZ DO MODELO HORISTA?

Atualmente, cerca de 35 mil vagas permanecem abertas apenas no estado de São Paulo, segundo Erlon Ortega, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas). O motivo? A dificuldade em encontrar profissionais dispostos a aderir aos modelos tradicionais de jornada.

“O jovem não quer mais o modelo antigo de trabalho, ele quer mais flexibilidade, mais liberdade”, declarou Ortega. “Por isso, precisamos discutir urgentemente, com a Abras [Associação Brasileira de Supermercado], o modelo horista, em que pode trabalhar por hora, a qualquer momento.”

O dirigente também defendeu a conexão entre vagas do setor e programas sociais, destacando o papel dos supermercados como porta de entrada para o emprego formal. E foi além: sugeriu que o varejo alimentar seja reconhecido como serviço essencial, pela importância que demonstrou, sobretudo, durante a pandemia.

CONTRATO INTERMITENTE: DIREITO OU PRECARIZAÇÃO?

A proposta tem respaldo jurídico. O contrato intermitente, que permite a remuneração por hora ou por dia trabalhado, foi incorporado à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) após a reforma de 2017. E em 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou sua constitucionalidade, após críticas de entidades que apontavam o risco de precarização e enfraquecimento da organização sindical.

Segundo a legislação atual, esse tipo de contrato garante férias, FGTS e 13º salário proporcionais, respeita o piso salarial da categoria e permite ao trabalhador atuar em outras empresas durante os períodos de inatividade.

“LIBERDADE DE ESCOLHA”: O QUE DIZEM OS SUPERMERCADOS

Para João Galassi, presidente da Abras, o modelo horista não representa perda de direitos, mas sim mais autonomia para o trabalhador:

“O que é melhor? Seis por um, quatro por três, cinco por dois? Nenhuma dessas alternativas. O melhor é a liberdade de poder escolher sua jornada de trabalho.”

Galassi defendeu que a nova modalidade pode beneficiar tanto empresas quanto colaboradores. Segundo ele, os contratos por hora seguiriam com carteira assinada e poderiam oferecer remuneração superior, dependendo do volume de horas trabalhadas.

“Cada semana é uma semana. Ela tem que ter o direito de trabalhar quantas horas ela desejar, tem que ter o direito de garantir sua ambição pessoal”, finalizou, comparando com a flexibilidade oferecida por aplicativos de transporte.

MAS E OS MOTORISTAS DE APP? UM ALERTA VEM DOS NÚMEROS

O paralelo com o trabalho por aplicativos, no entanto, levanta um ponto de atenção. Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que as condições de trabalho de motoristas de app pioraram significativamente na última década.

Entre 2012 e 2022, o número de motoristas autônomos mais que dobrou, passando de 400 mil para 1 milhão. A jornada média semanal aumentou, com quase um terço desses profissionais trabalhando entre 49 e 60 horas por semana. Ao mesmo tempo, a renda média mensal caiu de R$ 3,1 mil para R$ 2,4 mil.

Esse cenário levanta uma questão importante: como garantir que a liberdade de escolha não se transforme em vulnerabilidade?

SUPERMERCADOS NA ECONOMIA: UM PILAR DE CRESCIMENTO

Durante o evento, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou a força do setor supermercadista:

“No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu forte, 3,4%, e os supermercados [se expandiram] 6,5%. Um setor campeão de empregos e renda”, afirmou em entrevista no Expo Center Norte.

Segundo ele, a expectativa é que o varejo movimente R$ 16 bilhões ainda em 2025. Alckmin também reforçou que a reforma tributária trará mais justiça fiscal, beneficiando especialmente os pequenos negócios. Ferramentas como o Sebrae e o Senai foram citadas como peças fundamentais na qualificação profissional e no desenvolvimento das empresas.

FLEXIBILIDADE COM RESPONSABILIDADE: O DESAFIO ESTÁ POSTO

Diante de um novo perfil de trabalhador — mais conectado, com múltiplas fontes de renda e em busca de autonomia —, o setor supermercadista brasileiro começa a dar sinais de que está disposto a se reinventar. O contrato por hora pode ser a chave para destravar milhares de vagas ociosas. Mas, como toda mudança estrutural, exige debate, regulamentação cuidadosa e equilíbrio entre flexibilidade e proteção social.

E você? Acha que o trabalho por hora representa o futuro das relações de emprego ou um passo arriscado para a precarização? O debate está aberto — e promete movimentar o mercado nos próximos anos.

Fonte: Agência Brasil

 

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