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Queimaduras podem ser uma arma cruel na violência doméstica contra mulheres

Por Conecta Mídia
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Queimaduras podem ser uma arma cruel na violência doméstica contra mulheres A campanha junho laranja alerta para a prevenção das queimaduras e a violência contra a mulher

Quando falamos em queimaduras, você sabe o quanto elas podem marcar a vida de uma pessoa? A Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) está lançando um alerta importante neste Junho Laranja, mês dedicado à prevenção das queimaduras, com um foco especial que merece a nossa atenção: a violência contra a mulher.

Com o impactante slogan “Marcas no Corpo, Feridas na Alma”, a SBQ chama a atenção para um triste cenário em que as queimaduras são usadas como instrumento de agressão doméstica, deixando sequelas físicas e emocionais profundas. Afinal, você sabia que muitos casos de queimaduras em mulheres estão ligados a atos de violência?

JUNHO LARANJA: UM MOVIMENTO DE CONSCIENTIZAÇÃO E PREVENÇÃO

A data de 6 de junho, instituída pela Lei 12.026/2009 como o Dia Nacional de Luta contra Queimaduras, é o momento em que o Brasil volta seus olhos para esse grave problema. A campanha da SBQ visa não só informar sobre os riscos dessas lesões, mas também conscientizar autoridades e a população para a necessidade urgente de prevenção e assistência.

Queimaduras são reconhecidas como uma das lesões mais devastadoras no campo da saúde. Elas causam dor intensa, longas internações e, infelizmente, em muitos casos, deixam sequelas que acompanham a vítima para o resto da vida — sem contar o risco da morte.

QUEM SÃO AS VÍTIMAS? UMA REALIDADE ALARMANTE

Segundo dados da pesquisa realizada pela enfermeira Isabella Luiz Resende, sob a orientação da vice-presidente da SBQ, Raquel Pan, a violência contra a mulher envolvendo queimaduras tem crescido. O Sudeste do Brasil, por exemplo, concentrou 47,17% dos casos noticiados entre 2018 e 2019.

“Em 33,9% das notícias pesquisadas, revela-se que o rosto foi a parte mais afetada (72,2%), seguida do tórax (50%). O que a gente vê na violência contra a mulher por queimadura é que ele [o agressor] não quer matá-la, quer desfigurá-la, com o pensamento de que, se ela não for sua companheira, não vai ser companheira de ninguém”, destaca Raquel Pan, enfermeira e especialista no tema.

É difícil imaginar, não é? O fogo que deveria proteger e aquecer, infelizmente se transforma em arma cruel de controle e desfiguração.

A GRAVIDADE DAS QUEIMADURAS E SEU IMPACTO NA VIDA DAS MULHERES

A coordenadora da Unidade de Queimados do Hospital Geral de Vila Penteado, Elaine Tacla, reforça que a prevenção é fundamental para reduzir esses números alarmantes. “Cerca de 1 milhão de brasileiros sofrem queimaduras por ano e 80% desses casos poderiam ser evitados. As queimaduras não só deixam marcas no corpo, mas também causam sequelas psicológicas profundas”, alerta.

Ela explica que, nos casos de tentativa de feminicídio com uso de fogo, os agressores frequentemente usam agentes inflamáveis e miram o rosto da vítima, buscando afetar sua autoimagem e autoestima. E, para muitas mulheres que sobrevivem a esses ataques, as cicatrizes físicas permanecem para sempre.

“Cerca de 90% das mulheres atingidas por fogo pelo companheiro omitem o fato e encobrem o ato. A queimadura é um dos meios mais cruéis de violência. Precisamos chamar a atenção para esses casos para que as mulheres saibam que o agressor é capaz disso e busquem ajuda nos primeiros sinais”, reforça Elaine.

QUEIMADURAS NO MUNDO: UMA VERDADE ASSUSTADORA

Os números globais também impressionam. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 180 mil pessoas morrem anualmente devido a queimaduras, sendo a maioria em países com renda baixa ou média. As queimaduras que não causam a morte ainda levam a hospitalizações longas, incapacidades e desfiguração permanente.

A cada dia, são cerca de 30 mil novos casos de queimaduras em todo o mundo, totalizando 11 milhões de pessoas que necessitam de cuidados médicos. Diante dessa realidade, a prevenção se torna uma responsabilidade coletiva.

ENTENDENDO AS QUEIMADURAS: CAUSAS E CLASSIFICAÇÃO

Queimadura é a lesão causada por agentes externos que afetam a pele e, em casos graves, podem atingir tecidos profundos, músculos e até ossos. Entre os principais agentes causadores estão líquidos quentes, chamas, produtos químicos, eletricidade e até radiação solar.

No ambiente doméstico, crianças são as mais vulneráveis às queimaduras por escaldamento, causadas pelo contato com líquidos quentes, geralmente dentro de casa.

As queimaduras são classificadas em:

  • Primeiro grau: afetam a camada superficial da pele, causando vermelhidão e dor moderada, sem bolhas.

  • Segundo grau: atingem camadas mais profundas, com bolhas, dor intensa e possível risco de choque.

  • Terceiro grau: comprometem todas as camadas da pele, podendo chegar a músculos e ossos, com dor reduzida e pele branca ou carbonizada.

Quanto à extensão, são consideradas leves quando atingem menos de 10% do corpo, médias entre 10% e 20%, e graves acima de 20%.

COMO AGIR EM CASO DE QUEIMADURA: PRIMEIROS SOCORROS

Se você presenciar um acidente com queimadura, algumas atitudes podem salvar vidas e minimizar danos:

  • Coloque a área queimada sob água corrente fria por cerca de 10 minutos.

  • Use compressas úmidas e limpas para aliviar a dor.

  • Cubra a queimadura com pano limpo e úmido para proteger contra sujeira e insetos.

Evite:

  • Tocar na queimadura com as mãos.

  • Furá-la ou retirar tecidos grudados na pele.

  • Aplicar substâncias populares como manteiga ou creme dental, que só pioram o quadro.

Procure atendimento médico imediatamente se a queimadura for extensa, envolver face, mãos, pés, olhos, pescoço ou genitais, ou ainda se causada por agentes químicos ou eletricidade.

COMO PREVENIR QUEIMADURAS NO DIA A DIA

A prevenção começa com pequenas ações no cotidiano. Você pode fazer a diferença evitando:

  • Deixar cabos de panelas para fora do fogão.

  • Armazenar álcool e produtos inflamáveis longe de fontes de calor.

  • Permitir que crianças fiquem sozinhas na cozinha durante o preparo das refeições.

  • Acender fogueiras longe de áreas secas e materiais inflamáveis, principalmente em festas juninas.

A informação salva vidas e evita que tantas pessoas, especialmente mulheres, sofram as consequências irreversíveis das queimaduras.


Se você ou alguém que conhece está sofrendo qualquer tipo de violência, lembre-se: buscar ajuda é fundamental. A violência pode deixar marcas profundas, mas o primeiro passo para a recuperação é saber que você não está sozinha.

Quer saber mais? Acesse Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) e informe-se sobre como contribuir para um Brasil mais seguro e consciente.

Fonte: Agência Brasil

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